POESÓ

TUDO PODE VIRAR PÓ
OU
POEMA





















domingo, 4 de agosto de 2013

Outono

foto de Poemática.
 
 
Estou sem sono!

ele esta noite está tão longe

como está o outono!

Falta atravessar

o resto da Primavera

e todo o verão.

Só então haverá frescor nos dias,

um pouco de melancolia

e muita reflexão!

Outono lembra paz e conforto

e também renovação

as folhas secam

e forram o chão

se preparando

contra os rigores do inverno!
 
 
Carlos Gutierrez
 
 
 
 
poema em forma de outono

Sublime Momento

SUBLIME MOMENTO
 
 
 
 
 
 

Provocações - Receita para arrancar poemas presos (Viviane Mosé) - Abuja...

sábado, 3 de agosto de 2013

Mystery of Love

foto de Alif Omera.
Mystery of Love

Love is not some iron vest that can save you from heartless bullets of time or monstrosities of life. It is more like your little girl who holds you firmly after hearing unknown thunder. The girl is frail………..so weak that her arms are not able to twist even the softest of branches. But the concern of her security can trigger an immense power in you………A power so great that even ripping apart ferocious beasts with your bare hands becomes a possibility.

From the eye swamped in the vision of profit and loss, love is nothing more than few grains and a handful of foliage spread on a barren land (not even enough to satiate the hunger of a child). But on these grains and foliage, flocks and flocks of mysterious birds descend from the sky; herds and herds of creatures from unknown dimensions of the world appear from horizon. This very possibility of attracting higher life makes love the ultimate mystery that has intoxicated the minds of creative souls since the beginning of time.

Asad Ali
Painting by Jean Metzinger
 
 

Não Volta Mais

foto de Snoopy e Charlie Brown.
NÃO ADIANTA SE LAMENTAR
DO QUE VOCÊ DEVERIA TER FEITO
HÁ TEMPO ATRÁS
O QUE PASSOU PASSOU
NÃO VOLTA MAIS
NÃO ADIANTA ALIMENTAR
LEMBRANÇAS
QUE PERDERAM SUBSTÂNCIAS
E NÃO ENCURTARAM DISTÂNCIAS
E SÓ IRRITAM A GARGANTA DO CÉREBRO
NÃO ADIANTA
QUANDO VOCÊ SE LEVANTA
NÃO OLHAR A JANELA DA REALIDADE
MAS NÃO ESPANTA O SONHO
A INCONSCIÊNCIA DE UMA SAUDADE
NÃO ADIANTA BRIGAR COM O TEMPO
AMALDIÇOAR AS HORAS
O TEMPO NÃO TEM OLHOS
PARA ENXERGAR A SUA PRESSA
NÃO TEM OUVIDOS
PARA OUVIR OS SEUS GRITOS
NÃO TEM LÁBIOS
PARA SENTIR A SUA SEDE
 
 
Carlos Gutierrez
 
 
 

Se eu não durmo...

status de Snoopy e Charlie Brown.
SE EU NÃO DURMO
NÃO É POR INSÔNIA
OU QUALQUER PREOCUPAÇÃO
SE EU NÃO DURMO
É PORQUE AINDA ARRUMO
O DIA QUE AINDA NÃO SE FOI
ARRUMO AS GAVETAS
DOS MEUS POUCOS SEGREDOS
AS FOTOS QUE EU TENHO MEDO DE PERDER
AS CARTAS AINDA TÍMIDAS E ÍNTIMAS DE AMOR
SE EU NÃO DURMO
NÃO É POR INSÔNIA
POR FEBRE MEDONHA
É PORQUE ACORDADA
A MINHA VIDA SONHA
DESPERTAR COM VOCÊ AO MEU LADO
E ENFIM DORMIR
SENTIR O SONO DOS JUSTOS
SEM SUSTOS DE PESADELOS
SE EU NÃO DURMO
É PORQUE NÃO APAGUEI A SUA LUZ
 
Carlos Gutierrez
 
 
"Talvez a madrugada seja para pensar e não para dormir." - Charlie Brown.

Sol Poente

Isso Compensa.
Pílulas de literatura: Dostoievski ao sol poente

“...Inclinado sobre a água, contemplava os últimos reflexos rosados do sol poente; a fiada de casas, escurecidas pela obscuridade progressiva; uma janelinha afastada, ao longe, em qualquer trapeira, na margem esquerda, que brilhava precisamente na flama do último raio que nela batia por um instante; a água do canal que ia escurecendo e, aparentemente, olhava para essa água com maior atenção. Finalmente alguns circulozinhos vermelhos dançaram diante dos seus olhos; as casas foram-se à deriva; os transeuntes, as margens, as carruagens... tudo aquilo se pôs a dar voltas e a bailar na sua frente. De repente estremeceu, liberto talvez da vertigem por um espetáculo selvagem e horrível. Parecia-lhe que alguém estava a seu lado, à sua direita, ombro a ombro; voltou o rosto e viu uma mulher alta, de chapéu na cabeça, o rosto amarelo, afilado, vincado e os olhos inflamados, encovados. Olhava-o nos olhos; mas era evidente que não via ninguém. De repente, apoiou a mão direita no peitoril, levantou o pé direito e subiu para o gradeamento de ferro, depois do que fez o mesmo com o pé esquerdo, e atirou-se ao canal. A água suja chapinhou e engoliu a vítima num instante; mas passado um minuto, a afogada tornou à superfície, a corrente foi-a levando suavemente para baixo, com a cabeça e os pés mergulhados e o tronco para cima com as saias, sopradas e flutuantes, fazendo balão.”

DOSTOIEVSKI. Crime e Castigo. Cap. V.

Imagem:
René Magritte. Le Mal du Pays. 1940.

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