POESÓ

TUDO PODE VIRAR PÓ
OU
POEMA





















sábado, 3 de maio de 2014

MAQUIAGEM

MAQUIAGEM

foto de Renata Cordeiro.
há 47 minutos
se maquia
para um novo dia
cola em seus cabelos dourados
a rosa preservada de Billie Holiday
enxerta rimel nos olhos de hoje e outrora
fique de perfil para sentir os dois lados
a revelação e o mistério
se maquia
proteja a pele
um blush suave de espera
um brilho nos lábios
que supera o poder atrativo
de morangos silvestres
se maquia mas natural se conserve
sem borrar a essência
em que adere
a pele de um novo dia

Carlos Roberto Gutierrez

FUGA

FUGA

Eu vou fugir para um jardim!
fugir da selva de pedra
dos olhares desconfiados
das marquises vulneráveis
dos gritos inflamáveis
dos vendedores de ilusões!
Eu procurarei flores...
enquanto os outros procuram aparências
vantagens e conveniências!
Eu procurarei a essência
das coisas simples que tocam na alma!
Eu procurarei amizades sinceras
que iguais as pétalas de uma flor
sabem conviver com carinhos
abelhas e espinhos!
Paz! absorção e dor!
Eu procurarei amizades iguais à sua
que nos acolhem em pântanos ou mares de rosas!

Carlos Roberto Gutierrez

cantando na chuva

cantando na chuva

chuva
que vem de repente
lágrimas geladas do céu
imprevisível
Blubell
que nos pega
quase desprevenidos
ainda com névoas nos olhos
de um sonho não esclarecido
com a pele ressecada
que tenta esticar o dia
para fazer tudo o que gosta
chuva
que vem em boa hora
para despertar o guarda chuva
e refrescar a memória
para relembrar a cena de Gene Kelly
abraçado ao poste
com a sua alegria refletida em uma poça
cantando "Singing in The Rain"
Chuva
chuvisca
sem pisca-pisca
líquida isca
para nos despertar outra vez

Carlos Roberto Gutierrez

Singing In The Rain

O Amor

O Amor

O Amor
não se explica
é algo que se solidifica
mesmo estando sempre no ar
traí e distraí os nossos sentidos
O Amor
nos modifica
sem percebermos
quando damos conta
já não somos mais os mesmos
nos absorvemos
dissolvemos as nossas almas
destilamos os nossos desejos
O amor é uma faca de dois gumes
a lâmina e a laca
em que deslizamos as nossas mãos
macias ou ásperas
a faca de dois gumes
que corta carnes e legumes
que retira sementes das frutas
e extrai perfumes das especiarias
que fere esponjas e dedos volúveis
O Amor é sobrepor a dor
manejar a faca de dois gumes
a vida e a morte

Carlos Roberto Gutierrez

ESSA TAL DE ADOLESCÊNCIA

ESSA TAL DE ADOLESCÊNCIA

poematizaçaõ de um artigo de Gilmara Giavarina

Mescla das quatro estações do ano
Na primavera cercada de flores
Toda a atmosfera romântica
Rubores nas faces
Carícias nas pétalas
Promessas quantas e quânticas
espinhos que espetam
corações que desabrocham
Cenários de contos de fadas
borrifados por inéditos aromas
Primavera de flor espera
pelos frutos da maturidade
No calor do Verãol
Labaredas de paixão
fogueiras de primeiras vaidades
crepitam sobre corpos ainda indefinidos
na dança de hormônios em desequilíbrio
Gel nos cabelos fartos e rebeldes
Gloss ou mel nos lábios ávidos
por beijos e úmidas declarações
Brincos enormes suspensos em orelhas
presos em lóbulos
junto com inseparáveis fones de ouvido
Piercings em lugares exóticos
Bonés virados ao contrário
Camisetas colocadas pelo avêsso
Atos travêssos
pequenos vandalismos
em murros e abismos
adolescentes andam em bandos
formam bandas
alguns se tornam nerds
outros rebeldes
outros alienados
outros reclusos
Riem por nada
ou total sarcasmo
Choram à toa
ou por tudo
no orgasmo das lágrimas
inocentes ou misturadas
com recentes pecados
No Outono
tudo se acalma
mesmo no mais triste abandono
A alma prevalece sobre o corpo
ainda bronzeado
por tórridas lembranças
A testa enruga
em fugas e encontros
Precoces plásticas
em faces retraídas ou elásticas
As árvores ficam nuas
A paisagem se encharca de melancolia
e o chão forrado de folhas
traz um arco-íris aos seus pés
Outono chega de uma hora para outra
para propícios transtornos
Horas irritantes
segundos hesitantes
Belas viram feras
e Príncipes desajeitados sapos
que pulam de lago a lago
para escapar do falso afago
de uma bruxa maquiada
então chega o inverno
para reclusões e reflexões
janelas dos olhos e da casa se fecham
persianas de alumínio e pele
que repelem insetos e voos
Essa tal de adolescÊncia
efervescência de sonhos e ideias
Tempo que demora a passar
mas que quando passa
jamais há de voltar
Tempo melhor da vida
entre espinhas e feridas
onde brotam as mais vivas
alegres e secretas lembranças
Época de farras e forras
que não suportam desaforos
e aborrescÊncias
Que tudo pode sem poder
Tempo em que definimos caminhos
e derrubamos muralhas
e que podemos por nós mesmo
escolher o rumo de nossas vidas
Tempo em que acreditamos em sonhos
e arriscamos escolhas quase impossíveis
onde os opostos quase sempre
possuem o mesmo significado
Unhas compridas para marcar presença
Olhos delineados
toda a arrogância do Bem
e a comédia das trilhas
dos nossos destinos
O coração pastelão
que desfere um tapa na cara
na máscara da ilusão
e se derrete como manteiga!

Carlos Roberto Gutierrez

ME FAZ TÃO BEM

ME FAZ TÃO BEM

me faz lembrar alguém
esse look descontraído
esse sol derretido no bustiê
esse três botões metálicos
alinhados no jeans bem ajustado
me faz lembrar alguém
de quem fiquei apaixonado
me faz lembrar alguém
cada acessório incorporado
colar pulseira
talvez um anel na mão encostada
ao jeans tão bem ajustado
me faz lembrar alguém
num tempo alucinado...
foram poucos segundos
tudo que é bom dura pouco
prá um cara tão reservado
só uma avassaladora paixão
pode deixar romanticamente louco...
me faz lembrar alguém
me faz tão bem
me convém
sonhar mais uma vez

domingo, 13 de abril de 2014

Beijo em Paris

foto de Aliança Francesa.
Beijar emagrece, diminui o stress, aumenta a imunidade e traz muitos outros benefícios. Não é a toa que hoje é o “dia do beijo”! Dizem que os franceses são especialistas em beijar (embrasser), por isso a expressão conhecida “french kiss” para designar um beijo mais apaixonado (un baiser amoureux)... quem concorda?