POESÓ

TUDO PODE VIRAR PÓ
OU
POEMA





















sexta-feira, 8 de março de 2019

Ana Cristina Cesar - Samba-Canção

Abstrações

abstrair para não obstruir

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Violeta

só porque é violeta
e lembra uma perdida orquídea
no jardim da minha memória
só porque é violeta
e traz o eterno mistério
da fusão de antagônicas cores
frio azul com flamejante vermelho
só porque é violeta
e mesmo sendo a cor da morte
não reflete violência
muitas vezes você sabe
que o rock é violento
que o sexo é violento
que o trânsito é pesado e lento
e violento
que as pessoas apressadas
são violentas
que as tormentas
se tornam violetas
como as auroras
que filtram os sonhos e pesadelos
só porque é violeta
vil letal
e ainda assim floral

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LETRA VIVA

registros poéticos maravilhosos em todos esses suportes que aglomeram palavras e sentimentos....assim a vida se expande com todos os espinhos e pétalas...assim as feridas se revelam em sépia dourado e sanguinea....assim a vida adquire o sentido na dor e no amor entre suportes e o suportar sem medo de expor e jorrar...
ESCREVER
REGISTRAR
COM O PRÓPRIO SANGUE
O ROTEIRO DE NOSSAS VIDAS
REVELAR O NÚCLEO
DOS SENTIMENTOS
NÃO IMPORTA OS SUPORTES
FRÁGEIS OU FORTES
MUROS OU CAVERNAS
CADERNOS OU FOLHAS DE SEDAS
PELES DE PIPAS
GRAVAR A FOGO
NO JOGO DE LABAREDAS
ESTOPAS E SEDAS
CHAMUSCANDO O MESMO FIM
TUDO QUE A VIDA CONCEDA
MIGALHAS OU QUE EXCEDA
E NOS FAÇA DESPERDIÇAR E DESPEDAÇAR
ESCREVER
REGISTRAR
NÃO IMPORTA O APETRECHO
LÁPIS CANETA CANIVETE OU GIZ
ESCREVER SEM SER ESCRAVO DAS PALAVRAS
ESCREVIVER
O QUE FOMOS SOMOS E PODERÍAMOS SER
AGLOMERAR AS PALAVRAS
IMPULSIONAR OS VERBOS
FORJAR FRASES
ROMANCEAR PERÍODOS
NÃO DEIXAR NOSSAS VIDAS EM BRANCO ENFIM
SERMOS MAIS DO QUE PÁLIDOS ENFERMOS
AMOR RUBOR RUMOR

* Igor Malaschenko*
Seems like only yesterday
I left my mind behind
Down in the Gypsy Cafe
With a friend of a friend of mine
She sat with a baby heavy on her knee
Yet spoke of life most free from slavery
With eyes that showed no trace of misery
A phrase in connection first with she I heard
That love is just a four-letter word
Outside a rambling store-front window
Cats meowed to the break of day
Me, I kept my mouth shut, too
To you I had no words to say
My experience was limited and underfed
You were talking while I hid
To the one who was the father of your kid
You probably didn't think I did, but I heard
You say that love is just a four-letter word
I said goodbye unnoticed
Pushed towards things in my own games
Drifting in and out of lifetimes
Unmentionable by name
Searching for my double, looking for
Complete evaporation to the core
Though I tried and failed at finding any door
I must have thought that there was nothing more
Absurd than that love is just a four-letter word
Though I never knew just what you meant
When you were speaking to your man
I can only think in terms of me
And now I understand
After waking enough times to think I see
The Holy Kiss that's supposed to last eternity
Blow up in smoke, its destiny
Falls on strangers, travels free
Yes, I know now, traps are only set by me
And I do not really need to be
Assured that love is just a four-letter word
.
"love is a four letter word" / bob dylan
.
imagem: "jazz from hell - livro II" / Igor Malaschenko / 28.09.2000 / in "jazz from hell" / para frank zappa / (livro # dois/exemplar único) / 43 imagens / inscrições e poemas / sobre papel daler-rowney/180gm / em acrílico, resinas e pigmentos minerais / 24.07 a 20.10.2000

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MALALA

MALALA
Não há de ser uma bala
um projétil da intolerância
que dispara quando se engatilha
a arma fria e covarde do fanatismo
a bala não cala
Malala
ainda adolescente
sofre na pele e na carne
o cruel machismo
que prega a submissão das mulheres
em qualquer idade
em qualquer tempo
a bala e sua trajetória
quanto tempo é preciso para findar essa história
essa escória de triste memória
Mulher não é objeto
empregada bibelô ou artifício de fetiche
Malala
talismã da resistência contra o taliban
mostrou ao mundo
uma parte do preconceito profundo
que atinge todas as mulheres

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FRIDA

Do outro lado da tela
Do outro lado dos muros:
da intolerância
dos musgos das dores e resmungos
até do muro de Rivera
Frida supera
em arte e destemor
a vida dura e cruel e que ferra
até os ossos tecidos e músculos
do seu corpo invólucro de alma artista
Frida vive em crepúsculos
mas resvala com as cerdas e espátulas
um céu ainda promissor sem máculas
Do outro lado da tela
aquele que encosta na parede cega
não há glamour na cal
nos caos que impera
Do outro lado dos muros
há a ignorância de tudo
e a projeção de saltos
daqueles que como Frida
não têm meto de enfrentar a vida

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PAGU

MULHER DE VERDADE
Patricia Galvão
explosão de sentimentos
encanto irreverente
frescor sem frescurites
baforadas impertinentes
tabaco aromático
perfume envolvente
de cabelos soltos e revoltos
ou presos dentro de uma charmosa boina
Pagu sem chabu
poema em forma de mulher
anos luz à frente do seu tempo
Pagu
despojada
natural ou maquiada
a verdade está dentro dos olhos
e mais ainda flagrante no container do coração
Pagu Hey Pagu
mulher em forma de sonho masculino
com roupas transparentes
a fina e delicada lingerie que tece um poema
Pagu
modernista anarquista indolente
frequente em meus olhos carentes
de uma mulher de verdade