poematização de um conto-roteiro de Joca Reiners Terron
ILUSTRAÇÃO DE LUCIANO SCHIMITZ
Aqui começa a viagem para cima
Aqui começa a viagem para baixo
o flutuar no céu
o acomodar-se no subterrâneo
no coração de um buraco
Escadas não são apenas escadas
escalas para cima ou para baixo
escadas são verticais estradas
passagens para outras dimensões
Escadas não são apenas estratagemas
de ferro alumínio ou madeira
para subir ou descer
elevar ou cair
são também para transcender
num espaço limitado
Ajoelho-me diante de uma escada
e aproximo o ouvido do primeiro degrau
ouço passos
pode ser o lugar ideal até para um encontro de amor
Suave aproximação
e entre o intervalo de um degrau a outro
no vazio no som oco
ou no concreto no som indiscreto
posso encontrar oo conforto de um doce acolher
Piso numa escada e de repente
me vejo em outro plano
Posso despencar ao chão
atraído por tanta beleza
como um displicente colorido balão
Sentir a aspereza do solo
e mesmo assim ter a sensação
de resvalar no manto anil do céu
e deixo me engolir pelo doce algodão
de uma nuvem passageira
Antigos incas
acreditavam que escadas
eram os únicos meios
de se atingir o plano divino
mas não imaginavam
que o Deus que eles acreditavam
poderia descer pelo mesmo caminho
e colidir com eles
A escada é o ínicio e o fim
[Image]
Alguém sempre se acidenta
mas também se levanta
e espanta todas as lembranças da queda
Românticas fraturas
Escadas causam vertigens
mas provocam também atos de coragem
deixam vestígios colados
de uma fantasia de Homem Aranha
em ambos os seus lados
nos corrimões
que seguram receios
e deixam escorregar impetuosidades
A cada passo acima
eu sei que você se torna mais transparente
envolvente como uma nuvem
e reluzente mais do que a mais brilhante estrela
e só agora percebo
a ferida em meu joelho direito
[Image]
Estava mais fascinado com a flor
que você jogou sobre o meu peito
Lembro! veio dos seus lindos olhos
passou pelos seus lábios
e poliu todas as suas pétalas em seu sorriso
A ferida e a flor
ambas tinham a forma de escada
simétricas ou helicodais
tinham rotas definidas
e inesperadas paisagens
A cada passo abaixo
o tom de sua pele se intensifica
como um porto seguro repleto de faróis
O monumento de pedra mais antigo do mundo
é a pirâmide de degraus do Rei Zôster
em Saqqara no Egito
2665 anos antes de Cristo
Reza a lenda que o arquiteto Imhotip
desapareceu sem deixar pistas
é sempre assim: quando os reis
aprontam alguma falcatrua
a culpa sempre recaí nos alienígenas
Eu já lembro de uma escada recente
que usei para pintar
o mais lindo sonho de amor
Escadas se desdobram
em vários sentidos
conduzindo à outras dimensões
Eu nem seguro o muro
escorregadio das emoções
e me deixo cair em seus encantos
Dentro dessa escada
há uma outra escada
que não vejo
Com o tempo ela será visível
e talvez inalcansável caracol
A ferida nunca foi totalmente curada
mas a flor ainda não murchou
me sinto ainda preso aquela escada
sem sentir o peso de uma ilusão
Inútil fazer plástica para corrigir a cicatriz
e squecer a escada e fugir por algum frio elevador
Uma escada se esconde
em cada descuido
o contrário também pode ocorrer
As faces do degrau onde pisamos
se chamam espelhos em Arquitetura
As escadas de alguma forma
planas ou em claraboias
tem o poder de refletir
as nossas personalidades
determinando assim o destino
de cada um de nós
Escadas não somente servem
para subir ou descer
mas de transcender
de ser o acolher
mesmo antes de ser
fuga ou amor
Quando está tudo escuro
e não há ninguém por perto
bem devagarinho
e silenciosamente
as escadas começam a rolar
e podemos comprovar
que escadas não têm fim
ainda há D
E
G
R
A
U
S
Carlos Gutierrez
POESÓ
TUDO PODE VIRAR PÓ
OU
POEMA
OU
POEMA
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Day after Day
I remember finding out about you
Every day, my mind is all around you
Looking out from my lonely room, day after day
Bring it home, baby, make it soon
I give my love to you
I remember holding you while you sleep
Every day, I feel the tears that you weep
Looking out of my lonely gloom, day after day
Bring it home, baby, make it soon
I give my love to you
Looking out of my lonely room, day after day
Bring it home, baby, make it soon
I give my love to you
I remember finding out about you
Every day, my mind is all around you
Looking out of my lonely gloom, day after day
Bring it home, baby, make it soon
I give my love to you.
Tradução Livre
Dia após Dia
Lembro-me de descobrir dia após dia de você
desde o primeiro degrau da escadaria
Desde o primance lance
desde o relance do primeiro olhar
Todos os dias a minha mente se concentra e gira em torno de você
Olhando para fora do meu quarto solitário dia após dia
Trago para casa, baby, as suas doces lembranças
Eu as retribuo com todo o meu amor para você
Lembro-me segurando o corrimão da saudade
enquanto você deve estar dormindo agora
após exaustivos estudos de música
e desafiadores vestibulares
Mas todos os dias eu posso de alguma forma sentir as lágrimas que você chora
em suas prementes escolhas
Olhando para fora de minha melancolia solitária, dia após dia
Trago as suas doces lembranças para a minha casa,
baby, faça isso logo
transfere a sua perseverança
E em troca lhe dou meu amor para você
Olhando para fora do meu quarto solitário, dia após dia
Traga-o seu encanto para a minha casa,
baby, faça isso logo
E em troca lhe dou um poema que revela todo meu amor para você
Lembro-me de descobrir sobre você
Todos os dias todas as horas, minha mente se concentra e gira em torno de você
e lhe admira cada vez mais
Olhando para fora de minha melancolia solitária, dia após dia
Traga o seu precoce conhecimento da vida para a minha solidão baby,
faça isso logo!
E Eu lhe dou todo o meu amor por você.
Every day, my mind is all around you
Looking out from my lonely room, day after day
Bring it home, baby, make it soon
I give my love to you
I remember holding you while you sleep
Every day, I feel the tears that you weep
Looking out of my lonely gloom, day after day
Bring it home, baby, make it soon
I give my love to you
Looking out of my lonely room, day after day
Bring it home, baby, make it soon
I give my love to you
I remember finding out about you
Every day, my mind is all around you
Looking out of my lonely gloom, day after day
Bring it home, baby, make it soon
I give my love to you.
Tradução Livre
Dia após Dia
Lembro-me de descobrir dia após dia de você
desde o primeiro degrau da escadaria
Desde o primance lance
desde o relance do primeiro olhar
Todos os dias a minha mente se concentra e gira em torno de você
Olhando para fora do meu quarto solitário dia após dia
Trago para casa, baby, as suas doces lembranças
Eu as retribuo com todo o meu amor para você
Lembro-me segurando o corrimão da saudade
enquanto você deve estar dormindo agora
após exaustivos estudos de música
e desafiadores vestibulares
Mas todos os dias eu posso de alguma forma sentir as lágrimas que você chora
em suas prementes escolhas
Olhando para fora de minha melancolia solitária, dia após dia
Trago as suas doces lembranças para a minha casa,
baby, faça isso logo
transfere a sua perseverança
E em troca lhe dou meu amor para você
Olhando para fora do meu quarto solitário, dia após dia
Traga-o seu encanto para a minha casa,
baby, faça isso logo
E em troca lhe dou um poema que revela todo meu amor para você
Lembro-me de descobrir sobre você
Todos os dias todas as horas, minha mente se concentra e gira em torno de você
e lhe admira cada vez mais
Olhando para fora de minha melancolia solitária, dia após dia
Traga o seu precoce conhecimento da vida para a minha solidão baby,
faça isso logo!
E Eu lhe dou todo o meu amor por você.
domingo, 23 de dezembro de 2012
O PORTÃO
Foi a vez de Lêdo Ivo.
1924 - 2012
O PORTÃO
O portão fica aberto o dia inteiro
mas à noite eu mesmo vou fechá-lo.
Não espero nenhum visitante noturno
a não ser o ladrão que salta o muro dos sonhos.
A noite é tão silenciosa que me faz escutar
o nascimento dos mananciais nas florestas.
Minha cama branca como a via-láctea
é breve para mim na noite negra.
Ocupo todo o espaço da mundo. Minha mão
desatenta
derruba uma estrela e enxota um morcego.
O bater de meu coração intriga as corujas
que, nos ramos dos cedros, ruminam o enigma
do dia e da noite paridos pelas águas.
No meu sonho de pedra fico imóvel e viajo.
Sou o vento que apalpa as alcachofras
e enferruja os arreios pendurados no estábulo.
Sou a formiga que, guiada pelas constelações,
respira os perfumes da terra e do oceano.
Um homem que sonha é tudo o que não é:
o mar que os navios avariaram,
o silvo negro do trem entre fogueiras,
a mancha que escurece o tambor de querosene.
Se antes de dormir fecho o meu portão
no sonho ele se abre. E quem não veio de dia
pisando as folhas secas dos eucaliptos
vem de noite e conhece o caminho, igual aos mortos
que todavia jamais vieram, mas sabem onde estou
— coberto por uma mortalha, como todos os que
sonham
e se agitam na escuridão, e gritam as palavras
que fugiram do dicionário e foram respirar o ar da
noite que cheira a jasmim
e ao doce esterco fermentado.
os visitantes indesejáveis atravessam as portas
trancadas
e as persianas que filtram a passagem da brisa
e me rodeiam.
Ó mistério do mundo, nenhum cadeado fecha o
portão da noite.
Foi em vão que ao anoitecer pensei em dormir
sozinho
protegido pelo arame farpado que cerca as minhas
terras
e pelos meus cães que sonham de olhos abertos.
À noite, uma simples aragem destrói os muros dos
homens.
Embora o meu portão vá amanhecer fechado
sei que alguém o abriu, no silêncio da noite,
e assistiu no escuro ao meu sono inquieto.
www.facebook.com/issocompensa
1924 - 2012
O PORTÃO
O portão fica aberto o dia inteiro
mas à noite eu mesmo vou fechá-lo.
Não espero nenhum visitante noturno
a não ser o ladrão que salta o muro dos sonhos.
A noite é tão silenciosa que me faz escutar
o nascimento dos mananciais nas florestas.
Minha cama branca como a via-láctea
é breve para mim na noite negra.
Ocupo todo o espaço da mundo. Minha mão
desatenta
derruba uma estrela e enxota um morcego.
O bater de meu coração intriga as corujas
que, nos ramos dos cedros, ruminam o enigma
do dia e da noite paridos pelas águas.
No meu sonho de pedra fico imóvel e viajo.
Sou o vento que apalpa as alcachofras
e enferruja os arreios pendurados no estábulo.
Sou a formiga que, guiada pelas constelações,
respira os perfumes da terra e do oceano.
Um homem que sonha é tudo o que não é:
o mar que os navios avariaram,
o silvo negro do trem entre fogueiras,
a mancha que escurece o tambor de querosene.
Se antes de dormir fecho o meu portão
no sonho ele se abre. E quem não veio de dia
pisando as folhas secas dos eucaliptos
vem de noite e conhece o caminho, igual aos mortos
que todavia jamais vieram, mas sabem onde estou
— coberto por uma mortalha, como todos os que
sonham
e se agitam na escuridão, e gritam as palavras
que fugiram do dicionário e foram respirar o ar da
noite que cheira a jasmim
e ao doce esterco fermentado.
os visitantes indesejáveis atravessam as portas
trancadas
e as persianas que filtram a passagem da brisa
e me rodeiam.
Ó mistério do mundo, nenhum cadeado fecha o
portão da noite.
Foi em vão que ao anoitecer pensei em dormir
sozinho
protegido pelo arame farpado que cerca as minhas
terras
e pelos meus cães que sonham de olhos abertos.
À noite, uma simples aragem destrói os muros dos
homens.
Embora o meu portão vá amanhecer fechado
sei que alguém o abriu, no silêncio da noite,
e assistiu no escuro ao meu sono inquieto.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
ESPAIRECER
Pode parecer um sonho
mas quando a vejo
sinto um sublime espairecer
e consigo absorver
toda a luz de uma tela de Monet
e dissolver toda a sombra
que assombra o meu ser
Lhe ver enfim é poder
escolher a mais linda paisagem
n a mais propícia estação
e destilar o perfume da rosa mais linda
Espairecer é sorver o seu encanto
a sua presença se torna acalanto
e sua ausencia a melhor saudade
capaz de esmiuçar cada palavra dita antes
e preparar com mais esmêro
aquelas que estão ainda dormindo
talvez sonhando
em meu dicionário interior
Espairecer é fazer prevalecer a distração
soltar o verbo
e as amarras do coração!
Carlos Gutierrez
Carlos Gutierrez
domingo, 16 de dezembro de 2012
SEMANA
DOMINGO MÍNGUAS
SEGUNDA AFUNDA
TERÇA TORTURA
QUARTA ESQUARTEJA
QUINTA QUIRELAS
SEXTA SEQUELAS
SÁBADO QUEM SABE SALVE
A INSANA SEMANA
SEGUNDA AFUNDA
TERÇA TORTURA
QUARTA ESQUARTEJA
QUINTA QUIRELAS
SEXTA SEQUELAS
SÁBADO QUEM SABE SALVE
A INSANA SEMANA
sábado, 15 de dezembro de 2012
AUGUSTA
Augusta que degusta os prazeres noturnos
Não se assusta com nada: trânsito, faróis dos postes, gaturnos,
prostitutas em trajes sumáriuos
Augusta que não frustra o imaginário
que todo cenário pode conter
Augusta que ilustra a selva de pedra
até mesmo com seu nome singelo!
Augusta de tantas eras e efervescências...
pecados que já foram fontes de inocência
que não entrou na letra de Sampa por falta de uma rampa
até cruzarcom os braços da Avenida São João!
Augusta de encanto instantâneo : seus voos e subterrâneos!
Augusta que serve de letra de uma canção
e pedra musa e musga para uma declaração!
Augusta plural que lhe gusta!
Augusta que caí na Consolação
Ela sonha sem dormir!!!
Doce pétrea ilusão
Carlos Gutierrez
Não se assusta com nada: trânsito, faróis dos postes, gaturnos,
prostitutas em trajes sumáriuos
Augusta que não frustra o imaginário
que todo cenário pode conter
Augusta que ilustra a selva de pedra
até mesmo com seu nome singelo!
Augusta de tantas eras e efervescências...
pecados que já foram fontes de inocência
que não entrou na letra de Sampa por falta de uma rampa
até cruzarcom os braços da Avenida São João!
Augusta de encanto instantâneo : seus voos e subterrâneos!
Augusta que serve de letra de uma canção
e pedra musa e musga para uma declaração!
Augusta plural que lhe gusta!
Augusta que caí na Consolação
Ela sonha sem dormir!!!
Doce pétrea ilusão
Carlos Gutierrez
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