POESÓ

TUDO PODE VIRAR PÓ
OU
POEMA





















sexta-feira, 23 de maio de 2014

LETREIRO RELUZENTE


Dançou e gargalhou como se a música lhe encarasse aos olhos
Andou na contramão triturando o caminho sólido
Por o pecado de lado, por esse chá na mesa
Ricochetear o texto ácido e a concessão ao perdão
A ponto de partir atravessou o céu dourado
Pisando os soluços com seus passos lógicos
Guardou a gota que faltava entre seus prelúdios
Acordou nadando na cama, no mar de lençois
Do outro lado do quarto sentou como num barco
Flutuou no desfecho como um pacote embriagado
Derivando os devotos do boteco flácido
Sorriu vendo a construção de sal grosso
Como se o carpinteiro renitente te cantasse mantras
Morreu afiadíssimo vendo murchar a festa
sorriso derradeiro na distância, comumente decifrado
Parece pouco?
Pôr esse chá na mesa e ouvir a música novamente.

Desirée Gomes
 
 
 

OLHAR DE PEIXE MORTO

PRESENTE
DO MAGNÍFICO ARTISTA PLÁSTICO Lima Junior

AFINIDADES

AFINIDADES

TEMOS ALGO EM COMUM:
O AMOR ÀS ARTES
EM TODO O TEMPO E TODA PARTE
QUANDO VOCÊ VEM EM VERSOS
E EU VOLTO POESIA
QUANDO EU ESCULPO A SUA FACE
NA COREOGRAFIA DE UM SONHO
QUANDO EU OUÇO UMA MÚSICA
E ME ABANDONO EM TODA A SUA SAUDADE
QUANDO EU ME REBELO EM UM ROCK
E ENCONTRO A PAZ DO SEU JAZZ
OU VICE VERSA
TEMOS ALGO EM COMUM
QUANDO VOCÊ CONVERSA EU SILENCIO
TEMOS ALCOOL EM COMUM
QUANDO VOCÊ É LICOR EU SOU CONHAQUE
PARA SENTIR ME FORTE DENTRO DESSA PAIXÃO
QUANDO VOCÊ É A ESPUMA DA CERVEJA
QUE TRANSBORDA POR TODA A BORDA
EU SOU UM ESPUMANTE DE AINDA UM TÍMIDO DESEJO
TEMOS ALGO EM COMUM
O VELADO TEMOR
AQUELE RUMOR
QUE BEBE TODA A DOR
NA RESSACA DAS HORAS
NAS PEDRAS DE GELO
QUE OLHAM COM MEDO
O ESPELHO DE UMA LAREIRA
TEMOS ALGO EM COMUM
TALVEZ MAIS QUE UM
TEMOS AFINIDADES
SÓ NOSSAS SAUDADES SABEM

Carlos Roberto Gutierrez

poema em forma de afinidades

cheers!
Foto: poema em forma de afinidades cheers!
 
 
 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

OLHAR


Esse seu olhar


que me faz sonhar

e que pode me levar

a toda felicidade

seja no campo

ou na cidade

em qualquer lugar

Esse seu olhar

profundo e misterioso

que eu não tenho pressa de decifrar

esse seu olhar que ao mesmo tempo me intriga

consegue esclarecer a minha vida

consegue salvar os meus versos

nessa poética trilha

Esse seu olhar

é continente

para abarcar todo o amor que o meu coração sente

Esse seu olhar

 

é ilha que compartilha

os meus sobreviventes

Esse seu olhar

de frente ou de esguelha

quando aos meus olhos fica rente

espelha tudo que eu almejei encontrar



Carlos Roberto Gutierrez 


...uma recaída romântica....foto linda da minha amiga de versos

Lenine - Todas Elas Juntas Num Só Ser

VOLÁTIL ORQUÍDEA


Foto: Mesmo que tudo se inflame
que todos os vulcões despertem
e larvas em levas derramem
os meus olhos ardendo em chamas
ainda hão de conseguir se refrescar
no colírio violeta que a sua beleza respinga
Volátil orquídea que me hipnotiza
os meus versos grudam em skates diversos
para não lhe perder
Mesmo que haja turbulências e panes
Juliany ficará retida em minhas retinas
como uma dançarina numa tela de Degas
como uma Pagu no coração de Oswald
como Yoko nas lentes de Lennon
nas peles de BowieMesmo que tudo se inflame
que todos os vulcões despertem
e larvas em levas derramem
os meus olhos ardendo em chamas
ainda hão de conseguir se refrescar
no colírio violeta que a sua beleza respinga
Volátil orquídea que me hipnotiza
os meus versos grudam em skates diversos
para não lhe perder
Mesmo que haja turbulências e panes
Juliany ficará retida em minhas retinas
como uma dançarina numa tela de Degas
como uma Pagu no coração de Oswald
como Yoko nas lentes de Lennon
nas peles de Bowie



model: Juliany


Carlos Roberto Gutierrez

URBANÓIDES



Urbanóides cruzam o meu caminho
A cidade cresce
obedece os desígnios da metrópole
Abre-se mais uma rua
Quatro esquinas inéditas
a serem disputadas
por prostitutas mendingos
camelôs e pontos de venda de drogas
A cidade cresce
desenfreadamente
e paradoxalmente
o espaço diminui
e mais nos aborrece
com as suas areias movediças
ferros retorcidos
grades vulneráveis
cercas eletricas
cães turbinados
Mais uma rua...nasce já espúria
na fúria do trânsito...
Urbanóides cruzam o meu caminho!

Eu que sonhava lhe encontrar o mais rápido possível
vejo consternado
que o banco do jardim não mais existe
nem o próprio jardim
nenhuma pétala de lembrança sequer!
Mais uma rua
que se percebe turva
na reta ou na curva
na chuva de lágrimas...
a cidade que prevejo violenta
pelo estampido dos tiros
em seu escuro labirinto
que pressinto agitada
nos acertos de contas
nos desprezos e afrontas
Eu saí de casa há pouco tempo
prá não ficar louco e entediado
só para olhar o teto azul da noite
e contemplar o efeito discreto da opaca lua
e embaralhar as órbitas dos meus olhos
em estrelas
Eu saí de casa...transtornado
nem me lembro se fechei as janelas e as portas
Onde estão as minhas chaves?
Urbanóides cruzam o meu caminho!
Alguns se vestem sóbrios
com engomados pulsos e colarinhos
outros aparecem maltrapilhos
mostrando os seus rasgos e feridas
Uma pasta negra executiva passa mais depressa
que o seu dono
Um boné rebelde foge da cabeça do office boy
um pedaço de lingerie abraça desengonçado uma lata de lixo
um cão cobiça galinhas nuas na máquina de assar frangos
um recorte de notícias superadas
cobrem o corpo de um pedintes
policiais estouram um bingo clandestino
Urbanóides cortam o meu caminho!
Eu saí de casa
calcei o velho tênis
de cadarços largados
línguas de lona seca
estrelas desbotadas
sola quase sem pele de silicone
Onde amor você está?
me responde
Urbanóides cortam o meu caminho!

camuflei o tubo de spray
e procurei o muro possível
mas há tiras por todos os lados
assim como extorsões
de emoções e bens materiais
Bico calado! bico calado!
quero ao menos pichar o seu nome
Estou com fome!
vou entrar aqui mesmo
nesse bar ordinário
Será que há algo para comer
para forrar o estômago?
se não tiver
recorro ao meu âmago
amargo e experimento
o fermento cruel do fel do tormento
da selva de pedra
com os seus urbanóides

POEMA EM CONJUNTO


Desirée Gomes
 
 


Carlos Roberto Gutierrez