POESÓ

TUDO PODE VIRAR PÓ
OU
POEMA





















domingo, 1 de junho de 2014

Quando a Noite Vem Caindo do Céu

A poesia de Bob Dylan

Quando a Noite Vem Caindo do Céu

Olhe lá fora nos campos, me veja retornando
Há fumaça no seu olho, você abre um sorriso
Da lareira, onde minhas cartas para você estão queimando
Você teve tempo para pensar nisso um pouco

Bem, eu andei 200 milhas, agora olhe para mim
É o fim da caçada, e a lua está alta no céu
Não faz diferença quem conhece quem
Se você vai me amar ou se eu vou te amar
Quando a noite vier caindo do céu

Eu posso ver através de suas paredes e sei que você está sofrendo
A tristeza lhe cobre como uma capa
Só ontem eu soube que você esteve flertando
Com o desastre do qual você escapou

Eu não posso arranjar para você respostas fáceis
Quem é você para que eu tenha que lhe mentir?
Você vai saber tudo a respeito, amor
Todo vai se encaixar como uma luva
Quando a noite vier caindo do céu

Eu posso ouvir seu coração trêmulo pulsando como um rio
Você devia estar protegendo alguém da última vez que eu liguei
Eu nunca lhe pedi nada que você não pudesse conseguir
Eu nunca lhe pedi para se preparar para uma queda

Eu vi milhares que poderiam ter vencido a escuridão
Pelo amor ao vil metal, eu os vi morrendo
Fique por aqui, baby, nós ainda não terminamos
Não me procure, eu lhe verei
Quando a noite vier caindo do céu

Nas suas lágrimas, eu posso ver meu próprio reflexo
Foi na fronteira norte do Texas onde eu cruzei a linha
Eu não quero ser um tolo faminto de afeição
Eu não quero me afogar no vinho de outra pessoa

Por toda a eternidade eu acho que vou me lembrar
Do vento gelado que está uivando nos seus olhos
Você vai me procurar e vai me encontrar
No deserto da sua mente
Quando a noite vier caindo do céu

Bem, eu lhe mandei meus sentimentos numa carta
Mas você estava se arriscando por apoio
A esta hora amanhã eu lhe conhecerei melhor
Quando minha memória não será tão curta

Desta vez eu estou pedindo liberdade
Liberdade de um mundo que você nega
Você me dará esta liberdade agora
E eu a pegarei de qualquer forma
Quando a noite vier caindo do céu.

Bob Dylan

Mais Um Dia


Manhã florida!

Céu azul!

cintilante como os olhos de Newman.

O sol flutua levemente,

esquentando os movimentos

daqueles que iniciam mais um dia de trabalho.

Um porta retrato,

ostentando imagem de um certo algúem

em preto e branco,

refletindo nostalgia e poesia.

Os pássaros brincam na janela ,
disputando espaço

com flores que exalam o mais doce perfume.

O despertar

café fresco

conversas de vizinhas

rotina iniciada.

Deixa pintar o dia,

o sol mansamente se esconder

e a noite...essa sim será maravilhosa!
 
 
Desirée Gomes
 
 
 
 

Placebo - Loud Like Love (Lyric Video)

Noite Estrelada

Uma Noite Estrelada
sobre o seu vestido
olhares pontiagudos
aguçam os meus sentidos
um campo de girassóis
douram a paisagem noturna
enquanto eu decifro
a sua face
na pose oportuna
não diga nada
tire as palavras
da minha boca
ou da minha pena
mergulhada no tinteiro
fugindo da solidão
mata borrão
Uma Noite Estrelada
sobre o seu vestido
não pode passar em branco
e jamais ser esquecida
comenta com todos os cometas
sobre um meteoro olhar
intruso em seu planeta
um cometa em forma de girassol
fugindo de um incêndio


Carlos Roberto Gutierrez


poetic model

Juliany Pinheiro



 

Dois cortados e a conta

Para ler ao som de “One more cup of coffee”, de Bob Dylan


Por Paula Taitelbaum*
A garota moída de véspera aguarda mais um grão de amor expresso. O professor amargo tenta manter-se acordado sobre o jornal pingado na penumbra de um canto. A garçonete passada queima seu dedo na lágrima fervente da máquina estilo locomotiva à vapor. A senhora fraca deixa um pouco do seu batom na xícara branca de louça barata.
A secretária doce percebe o resto de ai que cai de uma boca espumante. O executivo frio sente o líquido escuro escorrendo por suas veias abertas. A vendedora vazia oferece seu corpo de bandeja enquanto derrama um tanto de suas lamentações. O ator aguado sente a fumaça entrar por suas narinas até experimentar a última gota de fala decorada.
O aposentado leitoso faz tremer o pires gasto que um dia foi do gato. A estudante descafeinada levanta a mão num pedido mirrado e distante. O homem aromatizado finge não prestar atenção na mulher que lambe o dedo lambuzado de chantilly. O poeta denso ignora dois dedos de prosa e rabisca versos imaginários num guardanapo estampado de rodelas marrons.
A moça extra-forte adoça o olhar mexendo suas ideias em movimentos circulares. O desempregado duplo deixa escorrer o resto da auto-estima goela abaixo. A amiga pela metade pensa que as relações não passam de uma meia-taça. A viúva pura assopra suas lembranças para sorvê-las em um grande gole.
O garçom torrado abraça a vassoura por trás do balcão descascado. A filha embebida em restrições pede à mãe uma porção de sonhos frescos. A adolescente encorpada aperta as coxas quentes querendo servir um sanduíche de si mesma. O músico solúvel em críticas esconde as olheiras por trás dos óculos de lentes mal dormidas.
O casal morno alimenta-se de silêncio mastigando um pão adormecido. A esposa granulada acaricia a baguette num requentado pedido de perdão. A velha triturada estende a mão suplicando uma migalha de atenção. A virgem amanteigada deixa sua calda escorrer sem que ninguém perceba onde ela vai parar.
O desquitado italiano hesita antes de pedir um bem-casado. O turista orgânico sorve um sabor estranho enquanto tenta entender a língua que o cerca. A amante cremosa procura o bilhete da sorte entre os restos da mesa ao lado. O garoto cigano de cabelos encaracolados e brinco de ouro lê a sorte na borra decantada antes de partir para o vale lá embaixo.







É uma manhã como outra qualquer no Dylan’s Café

ENROSCA

enrosca o seu cadarço junto ao meu
e vamos prá algum lugar agora
cê sabe muito bem que é muito mais legal
aventurar-se pela estrada afora
do que uma viagem programada
com a tirania de horários
e outras e outros "malas"
enrosca o seu cadarço junto ao meu
e relaxa os seus pés os dedos
sem medo dos obstáculos
cê sabe muito bem que é muito mais legal
um cinema do que uma escola
assistir o que gostamos
palpitando cenas e finais
do que decorarmos aquelas fórmulas infernais
enrosca o seu cadarço junto ao meu agora
sinta das raízes dos seus cabelos
até as plantas dos seus pés
o quanto de carinho eu lhe dedico
o quanto cê me "amarra"
 
 
Carlos Roberto Gutierrez
 
 
 
 
 


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