POESÓ

TUDO PODE VIRAR PÓ
OU
POEMA





















sábado, 9 de fevereiro de 2013

Fútil Máscara

CARNAVAL
E TODA ESSA FALSA ALEGRIA
ESSA FÚTIL MÁSCARA
ESSA PESADA FANTASIA
ESSE TÉDIO SEM REMÉDIO
ESSA VIDA REMENDADA
PREFIRO O ANDARILHO
AO PASSISTA

Carlos Gutierrez


Excesso de permissividade resulta em tédio. O carnaval, com sua imposição publicitária e autoritária de felicidade e alegria, me enche os pacovás. Qual a razão de quatro dias ininterruptos de dança exasperada, furunfação explícita e desenfreada e celebração embatucada e vulgar da vida, se tudo isto se dá de maneira cotidiana atualmente? Na infância, a chegada da quarta feira de cinzas sempre me soava como libertação da ditadura do contentamento estéril carnavalesco e como uma abertura à luxúria subversiva da quaresma. Culpa e redenção são afrodisíacos que elevam a volúpia da transgressão por caminhos tortuosos. Hoje, nem isto. Saudade dos tempos da inquisição, quando o pecado era uma diversão diabolicamente metafísica, que transcendia a carne e o espírito e cheirava a enxofre libidinoso. Atualmente, prefiro queimar na fogueira do moralismo amoroso como mártir enjoadinho que viver na bacia morna e modorrenta do capeta, que, por sua vez, vive na felicidade midiática e estéril.
por Adrilles Jorge

Imagem: Arlequim com copo, "Lapin Agile", Picasso, 1905

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O Clima



O CLIMA ALTERA O CLIMA
EMBAÇA OU FAZ BRILHAR O DIA
 
Carlos Gutierrez
 
 
poema em forma de dia chuvoso
poema em forma de dia chuvoso

A PALAVRA

A PALAVRA
A PÁ LAVRA
A PÁ LEVE
A PÁ LIVRE
A PÁ LÓCIA
A PÁ LÚDICA
A PALAVRA
ESCRAVA DA FRASE
DA GRAMÁTICA
DA ANÁLISE SINTÁTICA
a palavRinha
o palavRão



Carlos Gutierrez

COSTURAS


COSTURAS

COSTURO AS PÁLPEBRAS
DOS MEUS OLHOS PASSADOS
ENQUANTO ALINHAVO
O TECIDO PRESENTE
QUE SONHA CETIM FUTURO
NA SÊDE E NA SEDA DO TEMPO
NAS LINHAS PARTIDAS DAS LEMBRANÇAS
NOS LENÇOS CERZIDOS DE DORES
OU EM OUTROS PANOS E PLANOS
QUE HOJE SÃO RETALHOS
PARA UM PATCHWORK
E QUE JÁ FORAM
CAMISAS FLORIDAS
CALÇAS DE SMOKING
MEIAS ESCOCESAS
COSTURO
E SATURO DE LINHA E REFORÇO
O QUE JÁ NÃO DESEJO MAIS RASGAR
E SIM IMANTAR EM MINHA PRÓPRIA PELE
TENHO TUDO EM MINHAS MÃOS
EM MEUS DEDOS
TESOURA DEDAL
BOTÕES E ALFINETES
E UMA NOVA ESTAÇÃO
PARA SER ATRAÇÃO
A NOVAS MANEQUINS
E CAROS E BARATOS AFINS
COSTURO
O QUE NÃO TÊM FIM
O QUE NÃO SAÍ DA MODA
O QUE FICA NA MÍDIA
COSTURO
A ETERNA INSATISFAÇÃO DE SER
DO SER


Carlos Gutierrez


costuras - foto CL
 

Saudade Tênue Pele

A SAUDADE TAMBÉM É UMA TÊNUE PELE
QUEM A REPELE?
SE ELA ESTÁ PRESENTE EM TODOS OS SENTIDOS
NA VISÃO DE UM SORRISO
NA AUDIÇÃO DE UM VOZ LONGÍGUA
NO PALADAR DE DOCES PALAVRAS
NA MÉMORA TÁCTIL DE UMA AFÁVEL MÃO
COM ARTICULAÇÕES DE CARINHOS


Carlos Gutierrez



poema em forma de Amor à Flor da Pele

O Cérebro e o Coração


ENTRE A RAZÃO E A EMOÇÃO
O QUE VOCÊ PREFERE
A CONVENÇÃO OU A LIBERDADE
A IMPRESSÃO OU A VERDADE
AS ARTÉRIAS DOS SONHOS
OU OS NEURÔNIOS DA REALIDADE
CELEBRAR O CÉREBRO
OU ENCORAJAR O CORAÇÃO
ENQUANTO VOCÊ PENSA E PONDERA
EU FICO NA CORDA BAMBA
EM ESTADO DE ESPERA
 
 
 
 
Carlos Gutierrez
 
 
 

poema em forma de equilíbrio

A Flor e o Espinho

A FLOR E O ESPINHO

A FLOR É DELICADA
SEJA DO CAMPO
SEJA DO JARDIM
SEJA ROSA OU JASMIM
CRAVO OU BEGÔNIA
TULIPA OU QUALQUER OUTRA ENFIM
O ESPINHO É SEMPRE RÍSPIDO
CAPAZ DE FERIR
PÉTALAS E DEDOS
ATÉ MESMO LÁBIOS
QUE DESEJAM EXTRAIR
DAS FLORES MAIS DO QUE SEUS AROMAS
O ESPINHO SERVE TAMBÉM
COMO REDOMA
PARA PROTEGÊ-LAS


ELAS QUE SÓ TEM DEFESAS
EM SUAS PRÓPRIAS E FRÁGEIS BELEZAS



 Carlos Gutierrez