POESÓ

TUDO PODE VIRAR PÓ
OU
POEMA





















domingo, 18 de maio de 2014

METRÓPOLE

METRÓPOLE

Na metrópole
contar passos e compassos
salto alto em equilibrio no beco escuro
esperar o enlace na cintura
pisar no impisável.
A ausência tem efeito contrário
não dorme!
olha da janela os ventos altos
mastigando silêncios
costura rajadas de lembranças
ao delírio de quem conta carneiros
Trânsito com contagem regressiva
lastimando um alfabeto esquecido
contudo, organizado ao som de tamancos
e badalos vorazes
estopim marcando a letra da construção
luzes de automóveis riscam a paisagem
e buzinas em repouso
Na varanda um tilintar total que seduz,
um jazz que não é mudez
apresentada com açúcar e morangos
a face descoberta ao anoitecer
recua da trama passional
tomando a cidade as duas mãos,
contrafluxo.
Cortinas fechadas,
o assobio cantarola:
amo a ti em tantas outras faces!

Desirée Gomes
 
 
 

CANIVETE SUIÇO

CANIVETE SUIÇO

Talvez eu não sirva prá isso
que você necessite agora
para a sua urgência
para o seu desejo fora de hora
para a emergência dos seus olhos
que não sei se brilham ou choram
agora
talvez eu não sirva prá isso
quem sabe eu não sirva mesmo prá nada
nem para abrir uma lata de alguma conserva
não sou como um canivete suiço
multifuncional e preciso
eu sou apenas um quebra galho
ou nem mesmo isso
nem sei se espalho a minha sombra
em seu caminho.

Carlos Roberto Gutierrez
 
 
 

OLHAR DE PEIXE MORTO

OLHAR DE PEIXE MORTO

Lendo displicente um gibi
comendo com toda gula
ula! ula!
uma barra crocante de chocolate
ouvindo uma balada romântica
onde as baquetas acariciam tambores e pratos
que ecoam sinos de estações ferroviárias
igrejas e saudades
enquanto fora de casa na rua Rex late!
tamborilar os dedos na garrafa de whisky
quase pela metade
pula essa parte
tentando trancar a porta do ateliê
da minha verdade
Não dás tempo e você me invade
me visita e nada há o que evita
o seu alarde
a sua presença que eu desejo e me irrita
porque eu preciso lhe esquecer
tirar da fita
expulsar você da minha tira
embrulhar o seu corpo no papel alumínio
incluí-la da minha lista de reprodução
esmagar com as mãos cerradas
e os cacos recentes
da garrafa atirada com raiva contra a parede
preciso lhe esquecer
mas como se só você acaba com a minha sede
se o meu olhar de peixe morto
apenas vê a sua rede
como o Sol da Meia Noite

Carlos Roberto Gutierrez
 
 

'O Homem com Belos Olhos' - Charles Bukowski

My Nightingale / Marcos Valle & Stacey Kent - feat. Jim Tonlimsom

sábado, 17 de maio de 2014

NÃO SEJA TARDE DEMAIS

NÃO SEJA TARDE DEMAIS

E foram dias,
meses,
rasgando lembranças
e guardando
meticulosamente
o anseio pelo regresso!
sã, reencontro, reencantamento.
Esperava até o momento crítico,
o mais efusivo de todos
para lhe remeter afeições,
seriam poemas, contos, prosa, cartas,
um livro quem sabe feito de papel reciclado
todo escrito em vermelho,
dizendo até onde caminhei passos tétricos,
com trechos de canções censuráveis,
um retrato em branco e preto,
uma gota d'água da última chuva,
um olhar de Dylan.
Livre! Se queres ir,
nada farei,
sem esse silêncio trovador buscarei seu sol,
direi que senti a sua saudade.
Que já não seja tarde demais!





Desirée Gomes

Deftones - Romantic Dreams [Official Music Video]